O Grupo de Mulheres do Comitê da Bacia Hidrográfica do Acaraú realizou, nesta terça-feira (4), seu primeiro encontro do ano no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), campus Sobral. A reunião teve como objetivo principal definir o planejamento estratégico e as ações prioritárias para 2026.
Durante o encontro, as participantes foram divididas em grupos temáticos para debater propostas e construir encaminhamentos em quatro eixos centrais: impactos dos grandes empreendimentos nos territórios; saneamento básico; alimentação saudável e segurança alimentar (com foco em quintais produtivos e medicina tradicional); e economia solidária.

Justiça ambiental e grandes empreendimentos
No eixo “Impactos dos grandes empreendimentos nos territórios”, foi definida a articulação do II Seminário sobre Justiça Ambiental, com o tema “Impactos do modelo de desenvolvimento sobre povos e territórios”. A proposta é que o evento seja realizado durante uma reunião extraordinária do CBH Acaraú, na Comunidade Indígena Tremembé de Queimadas, no Baixo Acaraú.

Levantamento sobre saneamento básico
Para a área de saneamento básico, o grupo deliberou pela realização de um levantamento de iniciativas desenvolvidas nos municípios da bacia do Acaraú. A coleta de informações ocorrerá por meio de formulário e os resultados deverão ser divulgados em eventos promovidos pelo Comitê e pelo IFCE, em Sobral.

Segurança alimentar e valorização dos saberes tradicionais
No campo da alimentação saudável e segurança alimentar, foram sugeridas visitas a quintais produtivos e experiências de tecnologias sociais, além da realização de oficinas de medicina tradicional e visitas a casas de sementes crioulas. Também está prevista articulação para uma atividade voltada à medicina tradicional no município de Monsenhor Tabosa (CE).

Fortalecimento da economia solidária
Em relação à economia solidária, ficou definida a organização de feiras com produtos locais, com incentivo ao consumo de alimentos orgânicos da agricultura familiar durante reuniões do Grupo de Mulheres, encontros do CBH Acaraú e eventos apoiados pelo Comitê. O grupo também buscará parcerias para ampliar e fortalecer as feiras, intensificar a divulgação e mobilizar mais mulheres para participação ativa nas iniciativas.

Entrega de certificados e balanço das ações de 2025
A programação contou ainda com a entrega de certificados às mulheres que participaram do II Seminário Água e Gênero, realizado em dezembro de 2025, com atividades em Sobral e Monsenhor Tabosa.




Na ocasião, a presidenta do CBH Acaraú, Patrícia Vasconcelos, apresentou um balanço das atividades desenvolvidas em 2025, destacando reuniões, encontros e ações estratégicas promovidas ao longo do ano.

Debate sobre crise climática e justiça de gênero
Foi promovido um debate com o tema “Crises climáticas: por que nós somos mais vulneráveis?”, abordando como os impactos ambientais atingem de forma mais intensa mulheres negras, indígenas e quilombolas, trabalhadoras do campo e da floresta e moradoras de periferias e áreas de risco.
Durante a discussão, foram ressaltados pontos como a sobrecarga das mulheres em contextos de crise, uma vez que socialmente são responsáveis pelo cuidado com a água, a alimentação e as pessoas da família, responsabilidades que se intensificam em situações climáticas extremas, gerando a chamada “pobreza de tempo”.
Também foi destacado que as mulheres chefiam 49,1% dos lares brasileiros, o que torna ainda mais desafiadora a recuperação econômica no pós-crise, especialmente diante das desigualdades de acesso a crédito e renda.

Foi reforçada a necessidade de integrar a perspectiva de gênero nas políticas de enfrentamento à crise climática, por meio de planos ambientais que considerem a realidade e vida das mulheres, promoção da autonomia econômica, igualdade salarial, apoio a cooperativas e ampliação da presença feminina nos espaços de decisão, como os Comitês de Bacia Hidrográfica.
A orientação é que as participantes acessem e compartilhem a cartilha “Mulheres nas Ações Climáticas”, disponível no site do Ministério das Mulheres, como instrumento de formação e mobilização.
